A difícil tarefa de servir ou Os amigos do cargo

Por Elbio Carlos Bock 23/07/2019 - 22:59 hs

Ao longo de mais de 28 anos de vida como funcionário púbico ainda não acostumei com algo tão freqüente como chover para baixo. Existem pessoas que acreditam e tratam você como um produto descartável, ou seja, enquanto tiver utilidade para essas pessoas muito bem, depois que não servir mais, jogam fora.

Esta é uma das características inerentes ao ser humano que me causa mias desconforto. Elas se esquecem que por trás do cargo ocupado habita alguém que padece das mesmas mazelas que elas, ou às vezes, até piores; mas do alto do seu dever de ofício, não as deixam transparecer, pois tem horas que a lágrima não pode rolar, por mais teimosa que seja. No meu caso específico, policial civil, ninguém vai a uma Delegacia de Polícia para convidar para uma festa, ou baile, ou churrasco. Agora espera só dar uma discussão, desentendimento, briga nesses mesmos lugares para ver onde é o primeiro lugar que elas vão procurar apoio....

Demorei longos anos para me dar conta que eu era dois. Isso mesmo, dois em um só. Desde que nasci sempre fui o Elbio Carlos Bock que meus pais batizaram. Depois passei alguns anos como oficial temporário do Exército Brasileiro, onde me tornei o Bock. Após alguns anos, ingressei na Polícia Civil do RS, onde, atualmente, sou o Comissário Bock. E depois desse longo percurso foi que me dei conta dessa duplicidade única, quando, então me descobri dois, eu e o meu cargo.

Sempre me perguntava o que havia de errado comigo, pois via inúmeras pessoas de meu convívio em atividades sociais várias, sem que fosse convidado para nenhuma delas, ou quando tomava conhecimento, já não havia mais ingressos ou o evento já havia acontecido. Daí me dei conta: essas pessoas amigas não eram minhas amigas, amigos do Bock, eram amigas apenas do Comissário. Custou a cair a ficha, mas caiu. Quando era necessário ou útil a elas, me ligavam; quando não era, deixa pra lá.

Sabem o mais incrível disso? Que o meu telefone continua ligado 24/7, isto é, 24 horas por dia, 7 dias por semana, por um simples motivo, que supera tudo. Eu, antes de ser o policial civil, o Comissário de Polícia, sempre fui e sempre serei o bom e velho Bock.E é esse último (e sempre foi! ele) que

se desdobra para atender a cada amigo, a cada cidadão, a cada pessoa desta cidade ou de qualquer canto do mundo como eu mesmo gostaria de ser tratado. E não me arrependo um momento sequer.

Para encerrar, como dizia o bom amigo Chico Xavier, "o bem que praticarem aqui na Terra, será teu advogado em qualquer parte". Não tenho a pretensão de um Chico, mas sempre digo a seguinte frase: " O mal que eu faço me faz mal; o bem que eu faço me faz bem". E assim sigo, de consciência tranquila e feliz, tocando a vida.... Sempre à disposição... Me faz bem.