A economia do futuro

Estudei Ciência da Computação na Universidade Federal de São Carlos, de 1981 a 1984, em uma mesma época que se desenvolvia no Japão a computação de quinta geração, que revolucionaria o uso do conhecimento pelas inteligências artificiais.

Por MARIO EUGENIO SATURNO 19/02/2021 - 19:03 hs

 Os robôs também invadiam as fábricas e pareciam tomar o lugar do ser humano. Nessa época, intuí que o Estado deveria ter o controle social da automação.

 

Há que se pensar que, talvez, eu estivesse influenciado pela visão

estatista das décadas anteriores. Obviamente, criar estatal não deve

ser a meta, a tecnologia que os institutos e universidades públicas

fazem talvez já seja suficiente para manter o controle.

 

Os estados e o próprio governo federal deveriam seguir o bem-

sucedido exemplo de São Paulo que em 1947 introduziu na

Constituição Estadual um artigo que destinava 0,5% da receita

tributária para a FAPESP, Fundação de Apoio a Pesquisa, que foi

aumentado para 1% em 1989. E, mais, de acordo com a lei que criou

essa Fundação, seus custos administrativos não podem exceder 5%

do total de suas receitas.

 

A fixação de um percentual traz estabilidade de recursos financeiros

e um orçamento mais estável é essencial para manter a mobilização

de pessoas e mesmo de indústrias que forneçam insumos ou se

beneficiem direta ou indiretamente pelas instituições de pesquisa

científica e desenvolvimento tecnológico. E, esses 35 anos de

trabalho no INPE, o pior que aconteceu é a grande flutuação de

verbas, não conseguimos manter um parque industrial para atender as

necessidades do país. O militares do Brasil desistiram de fazer UM

satélite banda L, algo que os argentinos fizeram DOIS!

 

Aliás, as fundações financiadoras deveriam investir pesadamente em

automação da burocracia. Eu coordeno bolsas de capacitação do

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico,

CNPq, na minha área do INPE. Todas as informações dos bolsistas,

supervisores e coordenadores estão no sistema, mas para fazer as

prestações de conta, tem-se que redigitar tudo. Estimular a inovação

deve começar de dentro. Aliás, senadores e deputados tem que estar

atentos e ágeis para a adequação da lei às novidades tecnológicas.

 

Além disso, esse modelo de bolsas científicas e tecnológicas deveria

ser utilizado para treinar e qualificar trabalhadores. Já citei em outro

artigo a fabricação de cisternas para as regiões secas ou para

amenizar regiões que sofrem enchentes. E temos ainda a energia

solar, produção agrícola em pequenos espaços urbanos, etc.

 

Já discorri sobre os rios aéreos da Amazônia, da importância de

manter as florestas brasileiras, seja a Atlântica, Amazônica, Pantanal

e mesmo a Caatinga. Estamos queimando, literalmente, riquezas

inimagináveis que valem trilhões de dólares e são extintos para

sempre pelos estultos despatriotas.

 

A grande revolução dos últimos anos, sem dúvida alguma, é a

impressora 3D, que abre espaço até para a "impressão" de cadeias de

moléculas químicas e orgânicas. Na escala microscópica, o potencial

microeletrônico é impensável. Hoje, muita coisa pode ser fabricada

por uma fração do custo atual. Uma revolução a caminho!

 

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista

Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e

congregado mariano