O 7 de setembro

A Independência do Brasil é um dos acontecimentos mais importantes para a história do país.

Por CANTINHO DA TRADIÇÃO 08/09/2021 - 13:29 hs
O 7 de setembro
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. Esse episódio corresponde a quebra de domínio Português sobre a nação, principalmente nas relações econômica e política. De acordo com a história, a Independência do Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1822, clamada por D. Pedro.

O quadro da época

As razões que conduziram o processo da Independência do Brasil são variadas. Por isso, antes de falar sobre o assunto, é importante entender alguns aspectos históricos. O século XIX foi marcado pelo domínio do imperador francês, Napoleão Bonaparte. Esse constituiu um império europeu e as nações dessa região viam-se obrigadas a obedecer as condições estabelecidas por ele. Napoleão tinha como principal inimigo a Inglaterra. Por isso, o imperador instituiu aos países aliados que quebrassem vínculos com a nação inglesa. Diante desses aspectos, Napoleão estabeleceu o Bloqueio Continental afim de gerar impacto econômico no oponente e fortalecer a França.

Obs.: o Bloqueio Continental aconteceu em 21 de novembro de 1806 e consistiu na proibição das nações sob o domínio da França de comercializarem com os ingleses. Essa acontecimento gerou o fechamento dos portos de países europeus à Inglaterra. Portugal era aliado a Inglaterra. Nesse período quem governava a nação era D. João. Esse sofreu pressões da França para que fechasse os portos para os ingleses, sob ameaça de invasão francesa. Diante desse dilema, D. João e os membros da Família Real fugiram para o Brasil. Os ingleses protegeram Portugal durante a fuga da corte para o Brasil. Porém, eles exigiram que os lusitanos adotassem algumas deliberações como o fim do pacto colonial e o acesso livre ao comércio no país.

A Família Real no Brasil

A Família Real chegou no Brasil, no dia 22 de janeiro de 1808, em Salvador-BA. Ele cumpriu a exigência feita pelos ingleses e estabeleceu o Decreto de Abertura dos Portos do Brasil aos países amigos de Portugal.

Com o fim das guerras lideradas por Napoleão e após o restabelecimento do continente europeu através do Congresso de Viena em 1815, O Brasil recebeu o título de Reino Unido de Portugal e Alvares. Medidas de D. João como a revogação de leis para que proibiam a criação de industrias ajudaram no desenvolvimento do Brasil. No entanto, a regência dele no país não agradou os lusitanos.

Obs.: após a morte da mãe, D. Maria I, D. João foi aclamado como rei e passou a ser chamado D. João VI.

Duas reações conhecidas contra o reinado de D. João VI no Brasil foram a Revolução Pernambucana e a Revolução do Porto. A primeira diz respeito ao movimento emancipacionista realizada em 1817, em Pernambuco. Já a segunda aconteceu em Portugal, em 1820 e visava recuperar o país dos estragos da invasão de Napoleão. Diante das pressões exercidas pelas revoluções D. João VI voltou para Portugal. No entanto ele deixou no Brasil o filho D. Pedro que ficou responsável pela regência no país.

As revoluções separatistas

No sentido econômico, o Brasil enfrentou decadências. Principalmente porque D. João VI havia levado todo o dinheiro da nação. Portanto, D. Pedro I começou a regência com déficit financeiro. Por conta disso, a relação entre os brasileiros e portugueses estreitaram-se. Foram realizadas inúmeras tentativas para que a Independência do Brasil acontecesse de forma rápida. Porém, os feitos dos Movimentos Separatistas não consolidou esse evento, mas influenciou na construção de ideais para uma nação emancipada. Um exemplo desse movimento é a Inconfidência Mineira, realizada em 1789.

Conjuração Mineira

A Conjuração Mineira ou Inconfidência Mineira foi uma revolta de donos de minas, ricos comerciantes, intelectuais, pobres e militares. Eles protestavam contra os altos impostos cobrados por Portugal e pela Independência do Brasil. Os principais inconfidentes foram Álvares Maciel, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa e Silva Alvarenga. O líder dessa revolta foi Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes.

Revolta dos Alfaiates

Revolta dos Alfaiates ou a Conjuração baiana foi uma revolta ocorrida em Salvador-BA, em 1798. Além da independência do Brasil eles exigiam o fim da escravidão, uma política republicana e o livre comércio. Os líderes foram: João de Deus Nascimento, Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, Lucas Dantas do Amorim Torres e Manoel Faustino dos Santos Lira.

O grito do Ipiranga

A Independência do Brasil foi declarada por D. Pedro quando ele estava em viagem de Santos para São Paulo. A famosa frase: “Independência ou Morte” foi dita por ele quando estava próximo ao riacho Ipiranga. Por isso, a expressão também é conhecida como “O grito do Ipiranga” cujo foi declamada no dia 7 de setembro de 1822.

O dia do fico

O dia do fico foi um episódio importante para o processo da independência do Brasil. Esse momento corresponde a frase: “Diga ao povo que fico” dita em 1822 por D. Pedro, o regente do Brasil da época.

O contexto foi o seguinte: quando D. João voltou para Portugal deixou aqui o filho D. Pedro que ficou com a responsabilidade de reger o Brasil. Após 8 meses de administração, a corte portuguesa enviou uma carta para D. Pedro.

O documento apresentava a exigência da corte lusitana pelo retorno do regente para a Europa. O objetivo dos portugueses foi recolonizar o Brasil. Para isso

acontecer era necessário diminuir o poder do príncipe-regente. Porém, D. Pedro resolveu continuar no solo brasileiro e não obedeceu a ordem da corte.

A ação dos portugueses despertou ainda mais o sentimento de insatisfação dos brasileiros com eles e aumentou o desejo de independência. Como reflexo, D. Pedro recebeu um manifesto com 8.000 petições para que o príncipe e regente não abandonasse o país. Esse episódio aconteceu no dia 9 de janeiro de 1822 e ficou conhecido como “Dia do Fico”.

A decisão de D. Pedro foi pronunciada da seguinte forma:

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.

Obs.: D. Pedro passou a ser chamado D. Pedro I no primeiro reinado que durou de 1822 a 1831.

Grito do Ipiranga

Após o Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro traçou uma série de medidas que mudariam definitivamente a História do Brasil. Convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra e obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino, exigindo que nenhuma lei entraria em vigor sem sua aprovação.

Durante uma viagem para São Paulo e Minas Gerais, na tentativa de acalmar os ânimos da sociedade abalada com os últimos acontecimentos, o príncipe regente recebeu um documento da corte de Lisboa informando sobre a anulação da Assembleia Constituinte. Tal fato fez com que D. Pedro retornasse a Portugal e anunciasse o fim dos laços e influências portuguesas sobre o Brasil. Então, no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, D. Pedro pôs fim a era Brasil Colônia e declarou a Independência do Brasil.

Hino da Independência do Brasil

Para homenagear o fato histórico que marcou a separação entre Brasil e Portugal, o poeta e jornalista Evaristo da Veiga (1799-1837) em agosto de 1822 compôs o hino da Independência do Brasil. A composição foi musicada pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830). Confira abaixo a letra completa.

Já podeis, da Pátria filhos

Ver contente a mãe gentil

Já raiou a liberdade

No horizonte do Brasil

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil

Ou ficar a pátria livre

Ou morrer pelo Brasil

Os grilhões que nos forjava

Da perfídia astuto ardil

Houve mão mais poderosa

Zombou deles o Brasil

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil

Ou ficar a pátria livre

Ou morrer pelo Brasil

Não temais ímpias falanges

Que apresentam face hostil

Vossos peitos, vossos braços

São muralhas do Brasil

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil

Ou ficar a pátria livre

Ou morrer pelo Brasil

Parabéns, ó brasileiro

Já, com garbo varonil

Do universo entre as nações

Resplandece a do Brasil

Brava gente brasileira!

Longe vá, temor servil

Ou ficar a pátria livre

Ou morrer pelo Brasil