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Torres,19/07/2024

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Paulo apresentou-se aos romanos

Algum tempo atrás, tratei das diversas cartas do Novo Testamento, faltaram algumas, por isso retorno ao tema.

 A carta aos Romanos (epístola, em grego), é um textopastoral, como todas as cartas de Paulo. Nasceu da sua paixão pelaevangelização entre os pagãos. Observamos isso em Romanos 15,16: “Sou ministrode Jesus Cristo entre os pagãos, e a minha função sagrada é anunciar oEvangelho de Deus, a fim de que os pagãos se tornem oferta aceita e santificadapelo Espírito Santo”.

 Paulosente ser necessário apresentar-se aos cristãos de Roma, pois não foi ele quemfundou essa comunidade. Até hoje, não se sabe como surgiu essa comunidade.Paulo escreveu a mais longa de suas cartas pela paixão pela evangelização juntoaos pagãos.

 Paulofaz uma síntese do seu trabalho no Oriente Médio, na Ásia e parte da Europa(“de Jerusalém e seus arredores até a Ilíria”, Rm 15,19), constata que “agorajá não tenho tanto campo de ação nessas regiões” (15,23a). Por que? Porqueanuncia Cristo onde ainda não o conhecem. E Paulo planeja ir além, passando porRoma: “E porque há muitos anos tenho grande desejo de visitá-los, quando eu forpara a Espanha, espero vê-los por ocasião da minha passagem” (15,23b-24).

 Pauloditou a carta ao copista Tércio, que aproveitou a oportunidade, no final, paramandar saudações aos romanos, sinal que os conhecia (16,22). A unanimidade dosestudos sobre Romanos afirma que a carta teria sido escrita em Corinto, duranteos três meses que Paulo aí permaneceu (At 20,2-3), no final do ano 56 ou iníciode 57, quando Paulo já estava voltando de sua terceira viagem missionária.

 Acarta foi levada à Roma por uma mulher, Febe, diaconisa da Igreja de Cencreia.(16,1-2). A expressão “deem à ela toda a ajuda que precisar” (16,2b) faz suporque Paulo teria confiado uma missão especial a Febe.

 Acomunidade romana (Rm 16,1-15) é composta de pessoas sem muita importância àprimeira vista, são 11 mulheres e 18 homens. É claro que a Igreja de Romadeveria ter mais pessoas, mas surpreende Paulo conhecer tantas pessoas semnunca ter estado em Roma. Isso ajuda a esclarecer algumas questões, porexemplo:

 1)Se Paulo conhece tantas pessoas da comunidade de Roma, pode muito bem conhecerinclusive as alegrias e os conflitos dessa comunidade. Isso reforça a tese deque a carta aos Romanos não é um trabalho de teologia, mas um texto pastoral.

 2)Se tantas pessoas conhecidas de Paulo estão no momento em Roma, é sinal de quea evangelização naquele tempo era dinâmica, ágil, autossustentada. Osdeslocamentos de uma cidade para a outra não impediam o avanço daevangelização, pelo contrário, favoreciam.

 3)Se nem Paulo e nem Pedro são os fundadores da comunidade de Roma, é bemprovável que tenha surgido de iniciativa “leiga”. Sabemos que, no início daevangelização, uma corrente conservadora reservava somente aos apóstolos queandaram com Jesus de Nazaré a responsabilidade de fundar comunidades. Osurgimento da Igreja de Roma é outra quebra de protocolos, algo comum com ocristianismo. Fica o convite para que o leitor faça uma leitura esmiuçada destaimportante epístola.

 MarioEugenio Saturno (fb.com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior doInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano

 





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