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Torres,19/07/2024

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Bambu como solução energética

O Fórum econômico do G20 divulgou uma interessante iniciativa africana, a substituição de carvão de madeira por bambu.

 O esforço bem sucedido da Divine Bamboo, de Uganda, e querecebeu um certificado cinco estrelas da FAO, Organização das Nações Unidas paraa Alimentação e a Agricultura.

A Organização Mundial daSaúde, OMS, estima que 2,8 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda dependam docarvão e da biomassa para as necessidades diárias de cozimento e aquecimento, eas energias renováveis representam apenas 17% do consumo mundial de energia. Afalta de acesso a combustíveis limpos e acessíveis para cozinhar é um dosmaiores desafios de Uganda, com 94% da população totalmente dependente de lenhae carvão, o que leva a uma perda anual de mais de 200.000 acres de floresta acada ano.

O bambu foi reconhecido comoum importante recurso na erradicação da pobreza e na proteção ambiental devidoà sua resistência, retidão, leveza, extraordinária dureza, variedade detamanhos, abundância, facilidade de propagação e período de crescimento curtoque o torna adequado para uma variedade de propósitos e usos.

E também aparece como umpotencial recurso florestal não madeireiro para substituir a madeira. Alémdisso, é especialmente adequado para a agrofloresta, com muitos usos, comoconsorciação de culturas, filtragem de água, reabilitação de áreas úmidas,fornecimento de materiais de construção e forragem. É ainda eficaz para aconservação do solo, reduzindo a erosão e, dada sua estatura resiliente, podeser útil para a reabilitação de terras degradadas. O extenso sistema de rizomase raízes interconectados com estrutura de rede do bambu une efetivamente o solosuperficial e impede a erosão em lençóis e sulcos.

O bambu tem um período médiode rotação de 4 anos, requer manutenção mínima, sem necessidade defertilizantes ou pesticidas, e pode ser integrado tanto em sistemasagroflorestais quanto em sistemas agrícolas mistos. O bambu é um sumidouro decarbono, absorvendo dióxido de carbono e liberando 30% mais oxigênio na atmosferaem comparação com uma massa equivalente de árvores. Isso ocorre porque pode sercolhido regularmente, criando uma grande quantidade de produtos duráveis quearmazenam carbono por vários anos, além do carbono na própria planta.

O custo da produção dobriquete de bambu aliado à maior duração de queima leva o consumidor aeconomizar até 30% de seus gastos. Como a queima desses briquetes não produzemfumaça e fuligem, espera-se uma grande redução nos gastos com saúde, já que aexposição à poluição do ar domiciliar pode ocasionar doenças cardiovasculares,infecções respiratórias agudas, doença pulmonar obstrutiva crônica e bronquitecrônica, câncer de pulmão, catarata, baixo peso ao nascer e natimortos. Nomundo, estima-se em mais de 3,5 milhões de mortes prematuras em todo o mundopor esse motivo.

E é um excelente modelo denegócios, gerando empregos, treinamentos, viveiros, plantações, processamentode briquetes e distribuição. Algo que pode ser feito por governos,parlamentares e ONG. Será que mudamos este país?

Mario Eugenio Saturno(fb.com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional dePesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano





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